Quem Somos?

Estudantes do curso de Administração de Empresas da Faculdade da Cidade do Salvador, desenvolvendo um blog com o tema "Os Efeitos da Globalização nas Organizações" ministrado pelo Profº Marcelo Galvão da disciplina Tid III (Trabalho Interdisciplinar Dirigido III).

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Os efeitos da globalização nas organizações
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Referências:

ARBACHE, Jorge S. CORSEIUL, Carlos Henrique. Liberalização Comercial e Estruturas de Emprego e Salário. Rio de Janeiro: RBE, Out./Dez. 2004

CACCIAMALI, Maria C. Globlização e Processo de Informalidade. Campinas: Economia e Sociedade, jun. 2000. Disponível em: www.scielo.com.br, acessado em 01 de abril de 2011.

CHIAVENATO Idalberto Introdução à Teoria Geral da Administração. 7 ed., São Paulo Elsevier Campos, 2004.

CHIAVENATO Idalberto Comportamento Organizacional - 2 ed., São Paulo, Elsevier Campos, 2002.

MACHADO, Ana Flávia; MOREIRA, Maurício M. Os Impactos Da Abertura Comercial Sobre A Remuneração Relativa Do Trabalho No Brasil. Belo Horizonte: Cedeplar, 2001. Disponível em: www.cedeplar.ufmg.br, acessado em 01 abril de 2011.

MARX, Karl, ENGELS, Fiedrich. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Martin Claret, 2001.

POCHMANN, Márcio. A Década dos Mitos. São Paulo: Editora Contexto, 2001, p. 39-78.

RIBEIRO Antonio Lima Teorias da Administração - 2 Ed. Revisada e Atualizada - São Paulo: Saraiva 2010.

SOARES, Sergei; SERVO, Luciana M. S. ARBACHE, Jorge. O Que (Não) Sabemos Sobre A Relação Entre Abertura Comercial E Mercado De Trabalho No Brasil. Rio De Janeiro: IPEA, 2000. Disponível em www.ipea.gov.br, acessado em 01 abril de 2011.

Agradecimentos

Agradecemos antes de tudo a Deus que nos dá força para continuarmos, apesar das dificuldades, aos nossos mestres, familiares, colegas e amigos que de uma forma ou de outra tem nos incentivado.
sábado, 4 de junho de 2011
Os experimentos, levantamentos, pesquisa históricas, análise de informações em arquivos e estudos de caso constituem-se estratégias de se fazer pesquisas dos efeitos da globalização nas organizações. Embora não sejam definidas as ocasiões em que cada uma dessas estratégias são usadas, quando o problema pesquisa se apresenta como uma questão do tipo “como” ou “por que” para um conjunto contemporâneo de acontecimentos sobre o qual o pesquisador tem pouco ou nenhum controle, o tema se torna muito extenso e difícil.
Quem abre um negócio sabe que hoje há um mundo a se conquistar, pois são muitos os desafios, entretanto, a sociedade moderna precisa desses empreendedores. A ação empreendedora do homem possibilitou intervir, transformar e dominar criando e inovando, avançando sempre na busca de novos patamares de produção, de melhores níveis de qualidade de vida.
O Japão realizou uma fusão bancária que criou o maior banco financiador de trocas comerciais do mundo. E exemplos semelhantes vão acontecendo em outras partes do mundo. No início tudo é azul. Depois virão as consequências inevitáveis: fechamento de fábricas, desemprego de milhares de trabalhadores, o aumento de preços para consumidores, imposição de “vendas casadas” e outras. Alguns economistas profetizam que a indústria brasileira terá que tomar o caminho das fusões (que acabam constituindo monopólios) para sobreviver ao avanço da globalização no atual milênio, principalmente nos setores onde o tamanho é documento, como o de bens de capital e alta tecnologia. E os efeitos são conhecidos: desnacionalização da economia, extinção do Estado Nacional Soberano, destruição do que ainda resta da indústria nacional, desemprego, exclusão social, pobreza, miséria, amputação de direitos adquiridos, retorno do trabalho à condição de escravo etc.
Nunca o governo dos EUA permitiria tal concentração de poder em um ou dois grupos. É muito risco para a forte democracia norte-americana. Lá há no mínimo três grupos poderosos, em igualdade de condições disputando a audiência palmo a palmo. Há o respeito à divergência de opiniões. Aqui, cada vez mais, caminhamos para o monopólio das informações, consolidando a “ditadura constitucional” em que vivemos.
O mundo passa por mudanças drásticas, onde distâncias que até ontem eram percorridas em alguns meses, hoje, essas mesmas distâncias são percorridas em algumas horas. Mensagens que demoravam vários dias para serem entregues aos seus destinatários, hoje são instantâneas. Nunca a humanidade produziu tantos bens e serviços quanto na atualidade, em pouco mais de 300 anos a humanidade desenvolveu-se muito mais que todo o período anterior de sua história.
Segundo Pochmann (2001) essas transformações econômicas radicais são oriundas de três grandes ondas de inovação:
“[A primeira onda] a partir da segunda metade do século XVIII, com o surgimento de novos materiais, como o carvão mineral substituindo o carvão vegetal, de novos produtos, como ferro derretido com coque, a energia a vapor e, ainda, da mecanização das industrias têxteis e vestuários houve saltos quantitativos e qualitativo na capacidade de produção, especialmente no país sede das inovações, a Inglaterra. (…)Para uma elevação média anual de 7,1% da produção têxtil inglesa ocorrida nas três últimas décadas do século XVIII, o nível de emprego aumentou uma taxa média anual menor a (4,3%)(…)
Diante do concentrado e elevado avanço tecnológico, especialmente pela mecanização e pelo transporte a vapor, a produção ganhou importante impulso. Ao mesmo tempo, a divisão do trabalho sofreu pronunciada transformação, com efeitos significativos tanto na estrutura ocupacional quanto no conteúdo dos novos velhos postos de trabalho.
Entre 1870 e 1910, foi possível constatar uma radical modificação na divisão de trabalho, o que coincidiu justamente com a segunda revolução tecnológica. Também na forma de uma verdadeira onda de inovação, com a descoberta de novos materiais, como o aço e petróleo, da energia elétrica, do motor a combustão, do telegrafo, do telefone, entre outros, o capitalismo conseguiu garantir um novo ciclo de acumulação sem precedente (…) a simplificação de tarefas e o esvaziamento do conteúdo do trabalho imprimiram alterações substanciais na organização do trabalho, na diferenciação das ocupações e na desqualificação da mão-de-obra, abrindo a possibilidade para o emprego de trabalhadores menos qualificados” (Braverman, 1981)(Pochmann, 2001, p. 53 a 57)
A partir da década de 70 uma nova onda de inovações começa a ganhar força, uma força cuja capacidade de expansão é diferente de tudo que se viu anteriormente, a terceira onda de inovação altera o paradigma da generalização de inovações:
“A notável generalização das inovações nos campos da informática, telemática, dos novos materiais e da biotecnologia impulsiona a transformação do padrão e do trabalho nas mais diversas atividades econômicas. (…)
A extensão da participação crescente do complexo microeletrônico num ambiente de aprofundamento da competição internacional desregulada e de adoção de estratégias empresariais padronizadas contribui para a caracterização de um novo paradigma técnico-produtivo (…)
A partir da nova interpretação corrente, sobretudo nos meios financeiros, tem sido difundido o termo “economia digital ou nova economia”, como forma de enunciar a existência de um longo boom de expansão nas atividades econômicas no ultimo quartel do século XX. Nesse caso, tem referência principal à articulação entre a expansão da indústria da tecnologia de informação e de comunicação, especialmente através do uso da internet (…)”(Pochmann, 2001, p. 57 a 61)
Nesse mesmo período em que ocorre a terceira revolução tecnológica, o mundo começa uma nova era de intercâmbio entre países, um processo muito mais forte no processo de globalização, o que acabou por afetar o mercado de trabalho dos países:
“O aumento dos fluxos comerciais desde a década de 70 nos países desenvolvidos, e na década de 90 nos países em desenvolvimento, levou vários pesquisadores a buscarem, no comércio internacional, explicação para vários fenômenos observados no mercado de trabalho em vários desses países, notadamente na desigualdade de salários e no desemprego (…)
No caso dos países desenvolvidos, existe clara divisão entre os economistas quanto à origem do choque. Um grupo o atribui à concorrência de produtos oriundos de países onde a mão-de-obra pouco qualificada seria abundante e de baixo custo. Já outro grupo sustenta que os efeitos do comércio não são importantes, e que o choque contra os trabalhadores pouco qualificados se deve aos avanços tecnológicos enviesados contra esse tipo de trabalho. O objetivo deste trabalho não é resumir o debate na Europa e nos Estados Unidos, mas não deixa de ser curioso que, embora nenhum país desenvolvido tenha experimentado mudança na política comercial que sequer se aproxime em magnitude daquela observada no Brasil, os economistas tenham buscado no comércio com os países em desenvolvimento a explicação de seus problemas distributivos.
No caso dos países em desenvolvimento, foram observadas fortes mudanças nas relações comerciais concomitantes com transformações no mercado de trabalho. As mudanças nas relações comerciais foram, em geral, muito rápidas, uma vez que muitos países adotaram políticas de liberalização comercial repentina e por vezes, radical, o que traz potenciais efeitos para os preços relativos e na alocação dos fatores.” (Soares, Servo, Arbache, 2001, p. 6 a 7)
Cacciamali (2000) ressalta que a globalização apresenta efeitos benéficos e perversos no mercado de trabalho:
“O contexto da globalização, se, por um lado, encerra elementos que limitam a ação do Estado Nacional, por exemplo, no momento presente, no caso da seleção e implementação de uma determinada política econômica, por outro lado, requer sua ação ativa, nos moldes citados anteriormente. O objetivo nesse caso é filtrar determinados efeitos provocados pela maior exposição ao exterior e pela maior integração das economias. Alguns desses efeitos podem ser perversos, por exemplo, associados à perda da identidade cultural; outros podem ser muito rápidos, como a destruição de determinados segmentos empresariais e ramos de atividade domésticos intensivos em mão-de-obra que não dispuseram da oportunidade de se reestruturar em patamares tecnológico e de produtividade superiores; e outros podem ser positivos, como maior competição nos mercados e aumento nos níveis de produtividade. O Estado Nacional, dessa forma, se mantém como palco de disputas e de conflitos com relação aos interesses e representações de diferentes grupos sociais, sendo um ator primordial na configuração da inserção internacional e do padrão de crescimento econômico implementado, bem como dos resultados sociais e da distribuição de renda” . (Cacciamali, 2000, p. 170)
Segundo Soares, Servo, Arbache (2001), a inserção do Brasil no mercado global, nos anos 90 pode ser analisada sobre o seguinte contexto:
“No início da década de 90, a economia brasileira passou por um processo de liberalização comercial sem igual na sua história. Foram eliminadas barreiras tarifárias e não-tarifárias, que resultou, entre outras coisas, em aumento da participação das exportações e importações no Produto Interno Bruto. Segundo Kume, Piani e Souza (2000), a média da tarifa efetiva ponderada pelo valor adicionado passou de 67,8%, em 1987, para 37%, em 1990, e, finalmente, para 10,4%, em 1995. Além disso, inúmeras barreiras não-tarifárias foram removidas, (…) Houve, também, forte processo de liberalização financeira. Em suma, a liberalização comercial foi rápida e extensa, afetando quase todos os setores da economia brasileira.
Concomitante a este processo de mudança nas relações econômicas entre o Brasil e o resto do mundo, importantes transformações foram observadas nas relações econômicas entre brasileiros. Hoje, existe consenso de que houve aumento da taxa de desemprego, informalidade e produtividade do trabalho, e que as mudanças nas séries temporais dessas variáveis se deram logo após o início da abertura, sugerindo, pois, que a liberalização comercial teve efeitos não - negligenciáveis sobre o mercado de trabalho. “(Soares, Servo, Arbache, 2001, p. 6)
Mais especificamente, Machado; Moreira (2001) apresenta-nos o seguinte quadro:
“A economia brasileira encontrava-se, em 1985, fortemente protegida em relação à concorrência internacional na medida em que a tarifa legal média superava 130%, sem considerar uma extensa lista de proibição de importações, que só não envolvia petróleo e bens de capital. Em 1988, inicia-se um processo gradual de abertura que foi fortemente aprofundado a partir de 1990. Embora existisse um cronograma de redução de tarifas compreendendo o período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994, a utilização da abertura comercial como um dos mecanismos de controle da inflação levou à antecipação das datas de redução. Em 1994, quando da edição do Plano Real, a tarifa média passa a representar menos de 15%. Depois de 1995, em virtude da deterioração das contas externas, o governo recua na diminuição das tarifas do MERCOSUL, principalmente de bens duráveis, incluindo-os na lista de exceção à tarifa externa comum ou impondo restrições não-tarifárias. No entanto, a partir do segundo semestre de 1996, a retomada dos fluxos de capital externo e as pressões da Organização Mundial de Comércio motivam a flexibilização das restrições não-tarifárias, em especial no setor automotivo (Azevedo e Portugal, 1998). Ocorre, assim, a consolidação do processo de abertura comercial”. (Machado; Moreira, 2001, p.4)
Souza (1997) afirma que essa inserção no mercado com a abertura comercial tinha um componente diferente do quadro até então representado pelas suas estruturas de importação e exportação. Enquanto as importações têm elevação substancial de bens de capital, principalmente voltados para transportes e máquinas e equipamentos elétricos, e de alimentos, sendo que o primeiro responsável pela modernização recente da indústria brasileira, e a diminuição considerável na importação de combustíveis e lubrificantes e um declínio de importação de fertilizantes e ferro fundido/aço. Já no que se refere as exportações, a participação de produtos semifaturados ganha muita importância na pauta de exportações do Brasil, bem como produtos de consumo durável (carros) e bens com alta tecnologia (como aviões) ganham espaço.
Essas alterações econômicas impactam de forma significativa no mercado de trabalho e em sua estrutura:
“A abertura comercial vem também acompanhada por programas de privatização de empresas estatais, desregulamentação de setores e planos de estabilização econômica, buscando, segundo o discurso oficial, criar um ambiente para o aumento da competitividade da economia brasileira. No setor privado, a modernização das empresas se materializou, em um primeiro momento (1989-93), através da racionalização da produção e da introdução de componentes importados. De 1994-98, devido à estabilização econômica proporcionada pela edição do Plano Real, há uma retomada dos investimentos físicos acompanhada por movimento intenso de fusões e aquisições (Carvalho e Feijó, 1999). No entanto, segundo Dedecca (1999), tal modernização adquire um caráter de inovação organizacional e não tecnológica, pois, em um dos seus significados, representa apenas a substituição de equipamentos obsoletos. As inovações organizacionais incrementam a eficiência da empresa, apresentando a vantagem de reduzir a pressão por mudanças, na medida em que o investimento fixo em reposição de equipamentos melhora as condições de utilização da capacidade produtiva existente através do casamento de gerações bastante díspares. Tais inovações não se restringem à reposição de equipamentos, mas abarcam também a introdução de novas formas de gestão da mão-de-obra como, por exemplo, a participação nos lucros e resultados, que tendem não só a melhorar a produtividade como também facilitar a diminuição dos salários reais em contexto de enfraquecimento do poder sindical (Dedecca, 1999).
Essas transformações contribuíram para aumentar o nível de produtividade da economia brasileira. Bonelli e Fonseca (1998) identificam que, no período de 1992 a 1997, em apenas quatro dos vinte e um sub-setores industrias analisados, o crescimento da produtividade foi inferior à redução do emprego. Segundo os autores, a justificativa para a variância intersetorial poderia ser encontrada nas mudanças organizacionais e tecnológicas e não do processo recessivo dos anos de 1990 a 1992 que motivou o aumento do desemprego. Por sua vez, Carvalho e Feijó (1999) mostram que há, entre 1990-97, uma elevação da produtividade do trabalho na indústria de 44,6% medida pelas Contas Nacionais do IBGE e de 77,2%, pela Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. Ademais, um estudo econométrico de Rossi e Ferreira (1999) alcança um resultado de relacionar positivamente o aumento da produtividade à abertura comercial. Os autores apontam que quanto maiores a tarifa nominal, a taxa de proteção efetiva e a razão exportação sobre o PIB, menor a taxa de crescimento da produtividade do trabalho. “Por outro lado, quanto maior a relação importação sobre o PIB, maior a procura por eficiência das empresas brasileiras e, portanto, maior a produtividade.” (Machado; Moreira, 2001, p.5)
Essa evolução na gestão das empresas e da produtividade oriunda da abertura comercial impacta diretamente no mercado de trabalho como foi apresentado anteriormente por esses autores. Porém segundo Soares; Servo; Arbache (2001), afirmam em seu artigo que no período, boa parte dos ganhos da produtividade é oriunda do processo de melhoria generalizada nos níveis educacionais dos trabalhadores brasileiros.
Embora os autores destaquem que houve aumento no diferencial de rendimentos entre pessoas com ensino superior completo e pessoas com ensino elementar. Para eles fica evidenciada também uma queda em todos os outros diferenciais de rendimentos segundo o nível educacional: segundo grau com relação a primário completo, primário completo com relação a primário incompleto, e primário incompleto com relação a nenhuma educação. Isso significa que, paradoxalmente, todos perderam, exceto a categoria com mais educação e a categoria com o menor nível educacional.
Pochmann (2001) afirma por sua vez que essa evolução educacional não implica na redução da desigualdade de rendimentos:
“Não deve causar espanto, portanto, a observação de que no Brasil tem sido justamente os trabalhadores com maior escolaridade os mais atingidos pelo desemprego. Nos anos 1990, por exemplo, o desemprego para pessoas com mais de oito anos de instrução subiu 620%, enquanto para pessoas com menos de um ano de instrução, o aumento foi de 189%.
Ao mesmo tempo, não parece haver comprovação empírica suficiente para fazer crer que a elevação educacional coincida necessariamente com a redução das desigualdades de rendimento. Pelo contrário, observa-se que diante da piora no funcionamento do mercado de trabalho nos anos de 1990, proporcionado tanto pela ausência de crescimento sustentado quanto pelas reformas neoliberais, a elevação do nível das diferenças de rendimentos.
Tudo isso estaria ocorrendo diante de postos de trabalhos abertos em bem menor quantidade do que a elevação da oferta de mão-de-obra, permitindo que as empresas aumentassem os requisitos contratuais, ao passo que substituem os trabalhadores com menor nível de escolaridade por outros com nível maior. “Dessa forma, não são verificados sinais de substanciais, no conteúdo do posto de trabalho, que exijam, em geral, um profissional mais qualificado, sendo muito mais um fenômeno de oferta que de demanda de trabalho” (Pochmann, 2001, p.73 a 74)
Esse contraponto de Pochmann surge com uma lógica muito forte se for analisado o gráfico do desemprego na região metropolitana de São Paulo, principal pólo econômico-industrial do país. Na década de 1990 até 2003, a taxa de desemprego elevou-se de quase 7% em janeiro de 1990 passando a girar próximo a 20% entre 2003 e 2004, sendo que somente a partir de maio de 2004 ocorrendo à diminuição gradativa das taxas de desemprego nessa região, chegando em fevereiro deste ano a 13,6%.
Assim, com a elevação dos níveis de desemprego e a elevação do grau de instrução, as empresas podem substituir trabalhadores com menor nível educacional por trabalhadores com melhor escolaridade, ganhando produtividade, sem repassar todos os ganhos produtivos em rendimentos aos trabalhadores.
Arbache; Corseiul (2004) apresentam alguns dados interessantes sobre a alteração da estrutura do mercado de trabalho no Brasil após a abertura comercial:
“Uma análise das taxas de crescimento ponto-a-ponto da participação do emprego industrial entre os anos de 1987 e 1998 também indica que teria havido realocação do trabalho, já que algumas indústrias ganharam enquanto outras perderam participação relativa no emprego. Os cinco setores que mais ganharam participação no emprego foram indústrias diversas, com crescimento de 40,4%, alimentação, com 29,5%, farmacêuticos e perfumaria, com 20,7%, artigos de vestuário, com 18,2%, e plásticos, com 15,4%. Os cinco setores que mais perderam participação foram extrativa mineral, com crescimento de -46,2%, têxtil com -42,7%, elétrico e eletrônico, com -38,5%, petróleo e gás, com -35,5%, e indústria da borracha, com -20,8%. Não há um padrão tecnológico aparente na mudança do emprego industrial, uma vez que tanto indústrias trabalho-intensivo como capital-intensivas experimentaram crescimento e queda da participação no emprego.
O prêmio salarial inter-industrial controlado apresentou leve queda no nível e no desvio padrão após a abertura, sugerindo que a formação dos salários tornou-se mais competitiva. Uma vez que se omite dos dados as indústrias de petróleo e gás e refino de petróleo – que são setores altamente concentrados, sob controle do Estado, e que foram pouco afetados pela abertura, o que lhes permite experimentar elevados prêmios salariais – a média de prêmio salarial cai para 4,2% antes da abertura, e para 4,5% após a abertura, níveis muito inferiores aos observados com aquelas indústrias. (…) As taxas de crescimento dos prêmios mudaram significantemente entre 1987 e 1998. Os setores que experimentaram as maiores quedas foram à indústria extrativa mineral, com -82%, indústrias diversas, com -76%, máquinas e tratores, com -47%, extração mineral, com -44,5%, e alimentos, com -44%. As indústrias que apresentaram maiores taxas positivas de crescimento dos prêmios foram à indústria da borracha, com 10%, veículos e peças, com 13,2%, calçados, com 25,4%, farmacêutica e perfumaria, com 37,4%, e celulose e papel, com 164%. (Arbache; Corseiul, 2004, p. 493 a 494)
Esse trabalho demonstra que ocorreram realocações do trabalho entre as diversas indústrias, porém os níveis de determinação salariais apresentaram evolução, que no caso dos autores determinam como sendo resultado da competitividade imposta a indústria nacional frente à concorrência externa.
Se analisarmos os dados referentes a 1985 até fevereiro de 2008 na região metropolitana de São Paulo, principal pólo econômico do país (gráfico a baixo) percebe-se que tanto os índices de emprego e horas pagas aos trabalhadores caíram após a abertura comercial dos anos 90.
Sendo que somente nos últimos anos existe uma tendência de recuperação destes índices, o que vem ao encontro que os autores apresentam, pois ganho de capacidade produtiva, pela melhoria da produtividade, oriunda da melhor qualificação dos trabalhadores e da modernização do parque fabril, auxiliado por um pífio crescimento da economia nacional, permitiram a redução do nível de emprego na década de 90.
Após a crise cambial de 1999, o nível de emprego volta a recuperar-se devido em grande parte ao aumento das exportações do país, auxiliado pela depreciação do real frente ao dólar. E o índice de horas pagas começou a recuperar-se após uma melhoria nos índices de crescimento do país dos últimos anos.

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